O Carnaval tem um sabor étnico na Sierra Norte (norte dos Andes). Há celebrações mestiças, indígenas e afro-equatorianas. Na cidade de Peguche, perto de Otavalo, a festa Kichwa conhecida como Pawkar Raymi oferece 11 dias (de fevereiro ao início de março) de feiras de artesanato, competições esportivas e música. Um dos rituais é chamado de tumarina, uma espécie de batismo com água e pétalas de flores.
Pawkar Raymi significa a Festa da Floração (das colheitas). É um momento para agradecer à Pacha Mama por sua generosidade. Esta também é a época do ano em que comerciantes e músicos indígenas que trabalham no exterior retornam para casa para estar com suas famílias. Estima-se que 10,000 otavaleños ganhem a vida no exterior. Eles são considerados os embaixadores culturais do país e costumam ficar por até dois meses.
Na província de Tungurahua, nos Andes centrais do Equador, as pessoas começam a celebrar ao amanhecer. Há dois rituais. O primeiro é chamado de "Caminho da Purificação", que vai da praça principal da vila até as águas de Manzanapamba. As pessoas caminham descalças, suportando a dor das pedras e espinhos no caminho. Isso faz parte da purificação, para demonstrar uma conexão direta com a Pachamama. Durante essa peregrinação, as pessoas cantam canções em quíchua.
À medida que a procissão se aproximava das águas, o canto se intensificava. As mulheres lideravam o caminho, vestidas com trajes coloridos, especialmente em tons de vermelho, símbolo de fertilidade, alegria e prosperidade. As mulheres entravam na água primeiro, seguidas pelos homens. Após as orações, coroas de flores eram depositadas nas águas frias. Os participantes acreditavam que as energias da terra purificavam seus corpos de impurezas e fardos espirituais. Também se acreditava que, quando mulheres solteiras entravam nas águas, Pacha Mama abençoava seus úteros, concedendo-lhes a capacidade de gerar filhos.
Jucho é uma bebida de frutas consumida em lares indígenas como parte dos rituais associados ao Pawkar Raymi, e por mestiços como símbolo do Carnaval. É servida quente ou fria e tem um aroma doce e intenso. O jucho é consumido em todas as províncias onde cresce o capulí (cereja-capulí), como na Serra Central. Na província de Tungurahua, um grande número de árvores de capulí cresce selvagem. O Pawkar Raymi acontece em fevereiro, quando as árvores estão floridas. As cerejas são cozidas com pêssegos em calda, com adição de amido de milho e mandioca para dar consistência à bebida. Segundo os Yachaks (xamãs), as cerejas são um símbolo de fertilidade.
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